domingo, outubro 01, 2017

Construir uma casa - Dar sem receber - 4

3º e último dia de trabalho
Hoje sim, deu mesmo prazer o nosso trabalho, pois já conseguimos aperceber dos avanços na casa com o nosso trabalho.Hoje foi dia de misturar cimento-cola e colar redes nas paredes exteriores da casa e de encher as paredes interiores com cimento.










A meio da manhã passou pela casa a futura dona, Madalena Lage, e a filha Ana. Não sabem ainda quando a poderão habitar, mas a esperança cresce. 
Madalena Lage
A planta da casa

A planta da casa


Às  15h30 largámos o trabalho, lavámos as ferramentas, varremos os andaimes e entrámos na camioneta de regresso a casa. 



Foram três dias intensos de trabalho. Mas sendo nós privilegiadas, temos por obrigação ajudar quem não teve a mesma sorte. Dar sem receber. Ou melhor, dar porque já recebemos.  











Etiquetas: , , ,

sexta-feira, setembro 29, 2017

Construir uma casa - Dar sem receber - 3

2º dia de trabalhos
Não trabalhámos de sol a sol mas das 9h às 17h - quase como a vida de escrituraria "nine to five" mas bastante mais cansativa fisicamente....
Hoje já se começa a ver o resultado do nosso trabalho. Um grupo ficou a trabalhar dentro, a encher as paredes interiores com cimento, e outro grupo ficou fora. 


















A boa disposição do Sr. Bernardino, o chefe da obra











Este grupo do exterior subdividiu-se: umas misturavam areia, água e cimento e outras preparavam as paredes exteriores para receber o reboco: primeiro molhando muito bem os tijolos, depois espichando, ou seja, atirando cimento para a parede, e por fim alisando o cimento com a talocha.
Constantemente nos tínhamos de baixar para encher a talocha com cimento e depois com um gesto decidido atirar o cimento em arco para a parede. Ao princípio trabalhávamos de pé, mas à medida que nos aproximávamos do chão tínhamos de nos baixar. 
As que faziam o cimento tinham de no-lo dar, pois nós estávamos sobre o andaime. Calculo que amanhã as misturadoras de cimento estejam com dor nos braços por terem de levantar as gamelas e os baldes de água até à altura do andaime.




Mais interessante do que o trabalho na obra foram as pessoas que nos acompanharam nesta experiência. O Sr. Bernardino, o mestre, com uma paciência de santo a explicar-nos todas as tarefas, sempre com uma boa disposição contagiante e uma paciência sem limites. O Sr. Francisco, mais calado, fazia o seu trabalho de encher os buracos dos tijolos com cimento, sem se deixar perturbar pelo barulho de 12 mulheres. Mas quem sem dúvida marcou todos os corações for Ahmed, o refugiado sírio que chegou a Portugal há somente 4 meses, fugindo da guerra em Alleppo. a sua cidade, e depois de uma passagem pela Grécia. Na Síria, Ahmed fazia moldes para a indústria dos sapatos. Aqui está na construção civil. Fugiu da guerra com a mulher, um filho e uma filha. O terceiro filho vem a caminho. quis o destino que entre as voluntárias do Connect to Success esteja uma empreendedora que trabalha com sapato e luvas e que vai tentar conseguir-lhe um trabalho numa fábrica de sapatos.
Puxar tantas horas pelo corpo, fez com que chegasse ao autocarro e dormisse todo o caminho de regresso até Palmeia, onde é a Domus da Habitat.
Felizmente a piscina esperava por mim e foi como um bálsamo atirar-me para a água e dar umas boas braçadas. 


Ao jantar fez-se o balanço destes dois dias de trabalho de construção. Para todas as voluntárias foi uma experiência inesquecível do ponto de vista humano.  

Etiquetas: , , ,

quinta-feira, setembro 28, 2017

Construir uma casa - Dar sem receber - 2

1º dia de trabalhos
Partimos de camioneta às 7h30 para Braga. 



Doze mulheres, todas diferentes, unidas por uma causa comum: ajudar quem precisa: 
Carlota, uma médica, ligado ao serviço de triagem Saúde 24. 
Kim, fundadora de uma empresa de recuperação de capitais.  
Madalena, com um negócio de fatos de banho para crianças.. 
Manuela, jornalista e atualmente com um projeto online na área do turismo.
Ana, jovem cientista cheia de sonhos, e um negócio de cosmética. 
Ana Catarina e Paula, com um projeto de transformação de frutos biológicos.
Nancy   com os seus sapatos baseados nos lenços de namorados.
Ema com projetos de turismo.
Ana, coaching.
Daniela e Joana, coordenadoras  do Connect to Success.
Emília, uma engenheira que desenvolveu uma plataforma de bilhetes online.
A primeira parte do caminho foi feito em animadas conversas, discutindo o bem estar e a felicidade que dá o trabalho voluntário em prol de outras pessoas. 
Depois da obrigatória paragem para descanso do condutor, todas aproveitámos para dormir um pouco. Havia que ganhar forças para os trabalhos que nos esperavam.
Chegadas a Braga por volta das 12h, tivemos o briefing para ficarmos a saber o que teremos de fazer.








Os nossos mestres são dois pedreiros da zona e um refugiado sírio que está em Portugal há quatro meses. 

A casa que estamos a recuperar foi começada em novembro do ano passado e está a ser recuperada somente por voluntários. Ou seja, só avança quando há voluntários que vêm de todo o mundo, em especial dos EUA e do Canadá.
Molhar as paredes  exteriores para colocar as redes e colá-las à parede com cimento cola, com a ajuda de um talocha e de uma colher. 
No interior atirámos cimento às paredes para as alisar. 


"Largámos" às 17h e pudemos descansar um pouco na Domus Guest House, onde pernoitamos, até à hora de jantar.- até tempo tivemos para umas braçadas na piscina. 

A Domus Guest House que foi inaugurada em meados deste ano, está integrada num edifício do século XIX, recentemente restaurado e transformado num espaço multifunções, na freguesia de Palmeira (Braga), perto do centro histórico de Braga.Os quartos, com uma decoração simples e confortável, despertam a vontade de partir à descoberta de vários sítios de interesse da cidade.
Esta casa contempla diversas valências: alojamento de voluntários - nós fomos o primeiro grupo de voluntários portugueses a ficar na casa -, alojamento temporário de famílias, local para eventos e formação, escritório da Habitat for Humanity Portugal e armazém de bens doados, que muitas vezes tinham de ser rejeitados por falta de espaço para a sua recolha e armazenamento.
Sendo um edifício autónomo,  poderá funcionar como alojamento provisório de famílias apoiadas pela Habitat Portugal, numa fase complicada da obra da sua casa em que se veja obrigada de ser temporariamente deslocada. 


Etiquetas: , , ,